Caminho do amor

Por que preciso me filiar a uma associação de terapeutas tântricas e tântricos, aliás, o que é isso?, por Julio Zorba

Continue a leitura que você descobrirá o que é, para que serve e porque você, terapeuta, só ganharia em ser associada(o) da ABRATANTRA.

A união faz a força!

Com certeza você já ouviu aquele ditado popular “A união faz a força”, não é? Então, ele é o princípio para unir pessoas em prol de um propósito, seja ele social, espiritual, ambiental ou econômico. Estas formas de união não são nada novas. Estudos apontam que o principal fator do sucesso evolutivo da nossa espécie foi a disposição de viver em sociedades colaborativas e, embora a cooperação não seja um ato exclusivamente humano, a capacidade de colaborar conscientemente para a sobrevivência e a evolução do grupo acabou por nos definir socialmente.

A cooperação é um comportamento que envolve trocas sociais e é valorizada em todas as sociedades humanas, o que levou à proliferação de múltiplas formas e mecanismos de união em torno de objetivos comuns.

O despertar de uma nova consciência entre terapeutas tântricas e tântricos 

Não pense que foi de uma hora para outra que terapeutas resolveram se associar. O associativismo é um fenômeno que vai amadurecendo aos poucos, sempre a partir de fatores objetivos e subjetivos que se coesionam em determinado tempo histórico.

Primeiro, é preciso considerar que embora o Tantra e o tantrismo reúnam e expressem conhecimentos e manifestações milenares, é relativamente recente, para além da transmissão cultural e empírica que acompanhou a sua história, a apropriação dessa base de conhecimentos e a sua sistematização como metodologia, abordagem e finalidade terapêutica. Ao longo de pouco mais de trinta anos, milhares de pessoas passaram a atuar profissionalmente em torno da Terapêutica Tântrica no Brasil.

Segundo, que a motivação inicial às vezes parte de uma dor ou de uma demanda específica ou corporativa, como por exemplo a necessidade de pensar formas associativas ou cooperativistas para dar mais divulgação, promoção e segurança às(aos) profissionais em geral, a necessidade de definir que tipo de cursos ou formações habilitam para a atuação profissional. Em certa medida, essa foi a inestimável contribuição que o movimento “Somos Um” deu ao processo de constituição da ABRATANTRA ao lançar essa semente que anos depois veio a germinar. A tendência é sempre partir do específico para o geral.

Ao se enxergar como categoria, terapeutas que atuavam individualmente ou reunidos em torno de espaços, escolas e/ou de redes passam a refletir sobre objetivos e propósitos convergentes e, ao fazer isso, deparam-se com um conjunto de questões que extrapolam as demandas inicialmente colocadas. É nesse momento que, de maneira sistematizada, as(os) profissionais que atuam com Terapêutica Tântrica formalizam seu desejo de atuarem como uma profissão.

Como é natural acontecer com qualquer nova atividade profissional, o processo de reconhecimento como ocupação, como profissão e finalmente, como profissão regulamentada é gradual e exige marcos regulatórios específicos.

De lá pra cá, a atividade de quem atua com Terapêutica Tântrica é auto declaratória, não existindo por ora parâmetro legal que a defina. Isso não a torna menos importante e legitima, mas é ainda um estágio inicial em que a atuação dessas(es) profissionais não observa parâmetros formativos claros e que está compreendida em uma “família ocupacional” genérica, de Tecnólogos e técnicos em terapias complementares e estéticas (CBO 3221), na ocupação de Terapeuta Holística(o), Naturalista ou Alternativa(o) (CBO 3221-25). Avançar dessa atual condição para a condição de ocupação específica não se dará automática ou espontaneamente e exigirá mobilização de profissionais que deverão atuar pelo seu reconhecimento.

O passo seguinte, da oficialização da Terapêutica Tântrica como profissão, exigirá mais mobilização ainda porque demandará a definição clara de parâmetros formativos, que possam obter o reconhecimento pelo Ministério da Educação – MEC e a aprovação em Lei pelo Congresso Nacional. É de supor que estejamos falando de um longo processo. Apenas à título de comparação as(os) profissionais do Yôga (independentemente das grafias e pronúncias adotadas) iniciaram esse movimento há exatos 20 anos. Não pretendo aqui antecipar um rico diálogo que haveremos de ter sobre o momento de lançar ou não essa bandeira.

Evidente que o reconhecimento de nossa atividade como ocupação e, posteriormente, como profissão deve ter forte motivação, que só pode encontrar justificativa na defesa do interesse público. Assim, acreditamos que isso só acontecerá quando demonstrado que o exercício inadequado por pessoas sem formação e sem compromisso social acarretam risco de danos à vida, à saúde, à liberdade ou a outros valores fundamentais do indivíduo ou da sociedade em seu conjunto. Dito de outra forma, a jornada que estamos a trilhar não pode tratar apenas de dimensões corporativas, mas antes e principalmente, do zelo e proteção de quem objetivamente pode se beneficiar do nosso trabalho, ou seja, nossas(os) clientes e interagentes. O reconhecimento social de terapeutas tântricas e tântricos deve se dar em razão do interesse de beneficiárias(os) e da sociedade, nunca em razão dos interesses corporativos.

Se é certo pensar que esse seja o critério fundamental, há uma tarefa que define o nosso momento atual como categoria, qual seja, a definição clara dos conhecimentos e requisitos mínimos formativos capazes de nos definir como profissão, das bases conceituais e epistemológicas que nos diferenciam de demais terapias holísticas e, no esteio da defesa e garantias da sociedade, o Código de Conduta Profissional de Terapeutas Tântricas e Tântricos.

Não há como supor que esse longo caminho poderá ser percorrido com êxito se estivermos dispersas(os) e desarticuladas(os). A formação da ABRATANTRA deriva, portanto, objetivamente dessa primeira condição.

Subjetivamente, deriva também da compreensão manifestada pela maioria das(os) terapeutas envolvidas(os) com o processo de criação da ABRATANTRA de que a Terapêutica Tântrica e, consequentemente, aquelas(es) que atuam profissionalmente no segmento são agentes ativos de esclarecimento e valorização do processo terapêutico, diferente dos que utilizam da imagem socialmente construída em torno do Tantra para esvaziar a atividade de seu contexto terapêutico e limitar seu âmbito de atuação apenas à dimensão sexual, orgástica e de prazer, o que por vezes, dá margem para uma equiparação com profissionais do sexo.

Por que se associar?

Porém, você pode se perguntar: “Qual benefício eu teria em participar de uma associação de terapeutas”? Ou “Mas eu já tenho minha atividade profissional e minha clientela, porque preciso me afiliar a uma entidade deste tipo?”

A resposta é simples, mas extensa: porque juntos temos mais e melhores condições de apresentar nosso trabalho e obter o necessário reconhecimento social por essa atividade, em especial, a percepção de que atuamos como profissionais de saúde. Porque juntos temos mais força para reivindicar melhorias nas condições de trabalho, porque podemos nos reunir em torno de benefícios que a força do coletivo pode proporcionar (melhorar condições de compra de produtos e equipamentos, acesso a serviços com descontos, convênios culturais, esportivos e de lazer etc.). Porque juntos podemos pactuar condições e condutas que nos definam como categoria e, com isso, podemos assegurar qualidade e confiabilidade em nossa atuação.

É por todos estes motivos que a Associação possui hoje mais de uma centena de associadas(os) de todas as regiões do País e, até de outro país da América Latina e nos últimos meses se empenhou em coordenar o processo de aprovação do nosso Código de Conduta Profissional e agora avança para a definição dos requisitos mínimos formativos e das diretrizes para funcionamento dos espaços de atendimento e prática.

Fale com a ABRATANTRA e descubra como você pode se beneficiar de uma egrégora que é cada vez mais forte e da possibilidade de usar serviços e produtos que ela aos poucos poderá oferecer, em especial o Portal de Terapeutas que reúne perfis profissionais de colegas e que já está disponível na Internet.

Julio Filgueira – Deepak Zorba

Coordenador Geral em exercício

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